Depois de ter apresentado o seu projeto aos seus discípulos agora Jesus precisa o novo estilo de vida para eles. Chama-os a refletir nas propriedades do sal e da luz. Aqui somente que contigo partilhar o que significa o sal e a luz que devemos ser.
O que é o sal que devo ser? - Ele conserva, preserva, evita a deterioração e purifica. O crente como sal, cria sede espiritual nos outros e como luz, conduz as pessoas Àquele que é a fonte da salvação.
O sal antes de ser aplicado é visível, porém ao começar agir, temperando, preservando, purificando, torna-se invisível; somos também assim? Ou gostaríamos tanto de aparecer que murmuramos quando isto não acontece? Mesmo não aparecendo, a ação do sal é claramente sentida.
É sabido que a carne com vida não precisa ser salgada, para preservar-se. Quando Jesus disse aos seus discípulos: “vós sois o sal da terra”, deixou claro que a humanidade sem Deus está espiritualmente morta, perdida e prestes a perecer.
Bom é o sal, mas se tornar-se insípido, como lhe restaurar o sabor? Tende sal em vós mesmos, e paz uns para com os outros.
Quando Jesus afirmou que nós somos a “luz do mundo”, quis dizer ao mesmo tempo que o mundo está em trevas e que sua vontade em relação a nós, é que sejamos um instrumento seu, na evangelização do mundo.
Vejamos agora algumas propriedades da luz, que devemos observar:
Sua função é brilhar: ela o faz sobre um criminoso e sobre uma criança inocente, sobre uma poça de lama e sobre uma flor; assim também a nossa missão de luz do mundo, é mostrar a luz do evangelho sobre todos os povos, sem qualquer distinção.
A luz a que Jesus se referiu, era uma lamparina: alimentada através de um pavio, mergulhada no azeite; se faltasse o azeite o pavio se queimaria e danificava a lâmpada. O mesmo ocorre com o verdadeiro cristão: ele depende sempre do óleo do Espírito Santo, para difundir a luz de Cristo.
Mesmo que ela ilumine um monte de lixo, prossegue incontaminada em sua missão. Assim deve ser o crente: viver neste mundo tenebroso, sem contaminar-se com seus pecados.
A luz tem progredido através do tempo: desde a luz da lenha até à luz fluorescente, e continua a progredir, acompanhando o desenvolvimento. De igual modo o crente deve brilhar mais e mais.
Brilhando com intensidade e sem interrupção, ele enxuga brejos, drena a umidade, cicatriza ferimentos e é germicida. É o crente que de várias maneiras, abençoa este mundo: não só espiritualmente, mas também materialmente. Qual a intensidade da tua luz: de pleno sol sem nuvens ou luz de eclipse? Continua brilhando ou ofuscada por causa dos problemas do dia-a-dia?
terça-feira, 10 de junho de 2008
São Carlos Borromeu
Mui devidamente São Carlos Borromeu é contado entre os maiores santos, que glorificaram a Igreja Católica no século XVI, defendendo-a vitoriosamente dos inimigos que contra ela se levantaram.
No calendário dos santos, figura Carlos com o nome dos ascendentes maternos. Os Borromeus, chamados antes Franchi, residiam antigamente na cidade de San Miriato. Depois se ramificaram e encontramos seus diversos representantes em Florença, Pádua e Milão. Gilberto, senhor de Avona, no lago Maggiore, Casou-se com Margherita, filha de Bernardino Medichino, de Milão, irmã de Gian Ângelo, mais tarde Papa Pio IV. Gilberto Borromeu teve três filhos: Frederico, Carlos e Camila; esta se casou com Cesare Gonzaga de Guastalla, distinguindo-se por grande virtude. Frederico contraiu matrimônio com Virgínia della Rovere, filha do duque Urbino e morreu com 27 anos.
Carlos, o segundo filho de Gilberto, nasceu aos 2 de outubro de 1538. Menino ainda, revelou ótimo talento e uma inteligência rara. Ao lado destas qualidades, manifestou forte inclinação para a vida religiosa, pela piedade e o temor a Deus. Era seu prazer construir altares minúsculos, diante dos quais, em presença dos irmãos e companheiros de idade, imitava as funções sacerdotais que tinha observado na Igreja. Era mero brinquedo infantil. O amor à oração e o aborrecimento aos divertimentos profanos, eram sinais mais positivos da vocação sacerdotal.
Os pais, por seu turno, julgando garantido o futuro da família pelo primogênito Frederico, animaram a Carlos naquele modo de pensar, e levaram-no a seguir a carreira sacerdotal. Com doze anos, recebeu a tonsura e o hábito talar. Pela renúncia do tio Julio César, entrou no usufruto da abadia de São Graciano. Com este acontecimento formou-se o laço, que prendeu o jovem à participação da vida pública da Igreja. A administração de emolumentos que lhe provinham do benefício, Carlos considerava coisa sagrada. “Bem eclesiástico é propriedade de Cristo e por ele dos pobres; a estes aproveita o usufruto”. Foi esta a regra que a fé lhe ditou, e que as tradições da família lhe confirmaram. Não consentia que bens da abadia fossem aplicados a necessidades de família. Emprestando ao pai uma determinada quantia, exigia-lhe nota promissória.
Tendo dezesseis anos, matriculou-se na Universidade de Pávia, para ouvir as preleções do célebre canonista Francisco Alciati. Cinco anos passou em Pávia, separado do mundo, entregue aos estudos e à prática de piedade. Este tempo coincide com a fundação de um patronato para estudantes, cuja organização lhe foi possibilitada pela cessão que o tio materno, o cardeal de Médici, lhe fizera de um benefício eclesiástico.
Quando a notícia da morte do pai o chamou para casa, revelava em todo o modo de agir, o espírito e a tendência de um homem predestinado para grandes coisas. Inacessível às artes de sedução, com que um velho empregado da casa o procurava prender, julgou também ter a obrigação de reconduzir os monges da abadia ao fiel cumprimento dos deveres religiosos. Por meios hábeis, de bondade e energia, conseguiu este fim. Até lá, o moço de 22 anos não tinha idéia do grande futuro que o esperava e do papel importantíssimo que havIa de desenvolver na igreja Católica.
Gian Ângelo, tio materno de Carlos, tinha sido eleito Papa, e sob o nome de Pio IV, tomado o governo da Igreja. Dos parentes que tinham ido a Roma apresentar felicitações ao recém-eleito, fora Carlos a única exceção e, como é de supor, mui propositalmente. Pio IV mandou chamar o sobrinho à metrópole da cristandade e deu-lhe as posições mais elevadas na hierarquia eclesiástica.
Sucessivamente foi nomeado no ano de 1560, protonatário apostólico, referendário e cardeal diácono da Igreja de São Vito. Oito dias depois desta nomeação, recebeu o arcebispado de Milão, com residência obrigatória em Roma. Além destas dignidades, recebeu outras geralmente consideradas anexas à cardinalícia, como sejam: Legado apostólico de Bolonha, Romana e Ancona, protetor de Portugal, dos países baixos, da Suíça católica, dos Franciscanos e Carmelitas e presidente da consulta, isto é, do conselho deliberativo do Estado em negócios exteriores. Muitos, porém, acabaram descontentando-se por atribuírem a acumulação de funções como favoritismo. Ninguém, porém, estava mais descontente que o próprio privilegiado, não por ter se tornado objeto das queixas nesse sentido, mas principalmente por ter sido o primeiro que desejava uma reforma radical, na parte administrativa da Igreja. Às queixas e reclamações, seguiu-se um grande contentamento, porque Carlos revelou logo um tino administrativo extraordinário, unido a um espírito de justiça incomparável. Inacessível a adulação, de uma vigilância prudente e rigorosa, ao mesmo tempo condescendente, deu Carlos, apesar de ainda muito jovem, o exemplo de um homem perfeito, cumpridor dos seus deveres. Além disto, era pessoa de modos delicados, de fino trato social, que com vantagem sabia impor-se na roda da alta sociedade romana. O jovem cardeal, fundou uma associação de sábios religiosos e profanos, que realizavam sessões no Vaticano. Nestas reuniões, cada sócio tinha ocasião de proferir suas idéias, quer em forma de conferências, discursos ou discussões. Versando, a princípio, sobre assuntos de toda a espécie, mais tarde as conferências tiveram por objeto exclusivamente temas teológicos. O patronato que havia fundado em Pávia, foi transformado em colégio para estudantes pobres.
O ano de 1562 trouxe a Carlos a graça do sacerdócio. Morrera seu irmão Frederico, sem deixar filho varão. Os Parentes insistiram, então, com todo o empenho, para que Carlos abandonasse a carreira eclesiástica, e tomasse estado. O próprio Papa se fez intérprete do desejo da família. Por tudo acima que foi dito, não nos podemos admirar de ver que, a situação em que se achava as famílias dos Borromeus, nenhuma luta tivesse desencadeado no coração de Carlos. Para por de vez termo a todas as reclamações dos parentes, fez-se ordenar e, depois do fato consumado, os surpreendeu com a notícia do seu sacerdócio.
Ao Papa que não se conteve, e a Carlos externou o seu grande descontentamento, respondeu: “Santo Padre, não vos queixeis do meu proceder. Uni-me à esposa que muito amava e desejava com todo o ardor”.
A partir desse momento, se nota na vida de Carlos, pendência decLarada para a vida ascética. O Jesuíta Pe. Ribeira, seu confessor e diretor de consciência, o introduziu cada vez mais “na vida espiritual, em Deus escondida”.
No silêncio da meditação, lançou Carlos planos grandiosos para a reorganização da Igreja Católica. Estes todos se concentraram na idéia de concluir o Concílio de Trento. De fato, era o que a Igreja mais necessitava, como base e fundamento da renovação e consolidação da vida religiosa. Por toda a parte surgiram abusos, sintomas indubitáveis de uma decadência deplorável e de uma perturbação bastante séria do regime eclesiástico. O duque Alberto de Baviera, tinha arbitrariamente introduzido a comunhão dos fiéis sob ambas as espécies. O rei alemão Fernando, tinha publicado um catecismo de orientação contrária ao Concílio. Nas cabeças dos políticos franceses, doideava a idéia de um concílio nacional. Na Polônia se realizou, de fato, um concílio nacional de todas as confissões. Na Inglaterra reinava Isabel, a qual, para legitimar sua sucessão, havia de celebrar a independência da Igreja inglesa da de Roma. Só a Espanha desejava a conclusão do Concílio Tridentino.
Carlos, sem cessar, chamava a atenção do velho tio para esta necessidade, reclamada por todos os amigos da Igreja. De fato, o Concílio se realizou, e não exageramos se apontamos Carlos como força motriz daquela grandiosa atuação da vida católica.
Carlos quis ser o primeiro a executar as ordens da nova lei, ainda que por esta obediência tivesse de deixar a posição, para ocupar outra inferior. Já fazia dez anos que a diocese não tinha visto senão comissários de Antístite. A autoridade do Vigário Geral, não chegava para pôr em execução as determinações do Concílio Tridentino, que com traço enérgico cortava abusos enraizados na vida do clero secular, os quais alegavam em seu favor o costume de muitos anos.
Carlos visitou a diocese e sua entrada em Milão foi uma apoteose. Os retratos dos seus avoengos,que tinham sido colocados nas salas do palácio, mandou ele retira-los, e no lugar destes pôr a imagem do glorioso antecessor e modelo, Santo Ambrósio. Um mês depois da chegada, convocou o primeiro concílio providencial, cujo assunto principal era a reforma da vida clerical, de acordo com as determinações do Concílio Tridentino. O Concílio sofreu uma interrupção pela morte do Papa. Carlos, chamado a Roma, assitiu ao tio na hora da morte 91565). No conclave que se reuniu, por ocasião da eleição do novo Papa, Carlos tomou parte. O primeiro pedido que dirigiu a Pio V, foi de poder voltar para a diocese, pedido a que o Sumo Pontífice, se bem que com pesar, lhe acedeu.
De volta para Milão, desenvolveu Carlos uma atividade grandiosa. Para este fim, organizou uma série de concílios providenciais e diocesanos, escreveu uma excelente instrução para os confessores, e publicou as instituições e regras da sociedade de escolas da doutrina cristã. Em segundo lugar, trabalhou para a criação de seminários menores e maiores, e construiu em Milão, o Colégio Helveciano. Resistência tenacíssima e inesperada encontrou o arcebispo, quando estendeu a reforma às Ordens Religiosas. Os Cônegos de Santa Maria della Scala, apoiando-se em privilégios antigos, garantidos pelo rei da Espanha, que ao esmo tempo era duque de Milão, negaram ao arcebispo o direito de visita canônica, e levaram o atrevimento ao ponto de pronunciar a sentença de excomunhão contra o prelado. A mesma humilhação veio-lhe dos Franciscanos e dos Humiliatas.
A Ordem destes foi dissolvida e com este ato declarou-se por terminada a resistência das Ordens. Em outras congregações religiosas, o arcebispo achou os mais dedicados auxiliares, como por exemplo, nos Jesuítas, nos Irmãos e Irmãs de Escola, dos Teatinos e Capuchinhos. Uma organização admirável que o arcebispo criou entre o clero secular, foi a Congregação dos Oblatas, composta de sacerdotes seculares, que por único voto, tinham de estar sempre à disposição do Prelado, onde e quando de auxílio precisasse.
As visitas pastorais dão-nos uma idéia bem clara do espírito apostólico de Carlos Borromeu. Não lhe ra indiferente o modo como o clero cumpria o dever, e como o povo mostrava interesse em aceitar a doutrina cristã e as determinações da autoridade eclesiástica.
Freguesia não havia, por mais pobre, por mais inacessível que fosse, que não lhe tivesse recebido a distinção da visita. No meio das fadigas da viagem (muitas vezes ele mesmo carregava a bagagem), conservava sempre o bom humor. Com os pobres, partilhava o pão dos pobres. Dias havia em que não tomava senão pão e água. De importância histórica tornaram-se as suas visitas à Suíça, onde criou instituições católicas de grande importância. Não só os católicos, mas também os próprios protestantes, recebiam jubilosamente o “santo bispo”. Por intercessão de Carlos, a Suíça católica recebeu um Núncio Apostólico. Foi Carlos quem introduziu na Suíça a Companhia de Jesus e a Ordem dos Capuchinhos, e defendeu os católicos suíços contra as inovações do Protestantismo.
Carlos sabia muito bem que a caridade abre os corações também à religião. Por isto foi que grande parte da receita pertencia aos pobres, reservando ele para si só o indispensável. Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos. Tudo isto não agüenta comparação com as obras de caridade que o arcebispo praticou, quando em 1569-1570 a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram à cidade de Milão. Não tendo mais do seu para dar, pedia em pessoa esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio, que teriam ficado fechadas. Quando, porém, em 1576 a cidade foi visitada pela peste, e o povo abandonado pelos poderes públicos, não tinha outro recurso senão o bispo; este, para não falar na ereção de hospitais e lazaretos que mantinha, visto que ninguém se compadecia do povo, ainda procurava os pobres doentes de que ninguém lembrava, consolava-os e dava-lhes os santos sacramentos. Tendo-se esgotado todas as fontes de recurso, Carlos lançou mão de tudo o que possuía, para amenizar a triste sorte dos doentes. Mais de cem sacerdotes tinham pago com a vida, na sua dedicação e serviço aos doentes. Deus conservava a vida do arcebispo, e este se aproveitou da ocasião para dizer duras verdades aos ímpios e ricos esquecidos de Deus.
A peste ocasionou a fundação de um grande asilo para pobres. Além desta instituição, outros estabelecimentos de utilidade pública, a São Carlos devem sua fundação, como por exemplo, o Instituto dos Nobres em Milão, a Pia União pela salvação de pessoas do sexo feminino periclitadas, e diversas associações de beneficência. São Carlos, escreveu ainda duas pastorais, uma intitulada “Reminiscências para o povo da cidade e do arcebispado de Milão, e instruções para todas as classes, para praticarem as virtudes da vida cristã”, e a outra: “Reminiscências dos dias dolorosos da peste”.
Quem diria que, um bispo tão zeloso e tão santo, pudesse ser alvo de acusações, como se tivesse tendências antipatrióticas? Os primeiros que lhe atiraram pedras, foram aqueles elementos que mais se sentiram incomodados pela obra da reforma do prelado. Dos leigos, eram principalmente representantes da alta aristocracia, cuja vida estava em contradição com as leis da Igreja sobre o matrimônio. Dos clérigos, eram em primeiro lugar frades rebeldes que, intimados à sujeitar-se à reforma, se estribavam em direitos inatingíveis e privilégios centenários. Milão pertencia à Espanha, sendo governado pelo duque de Milão, que era rei da Espanha. O primeiro governador, o duque Albuquerque, por ser admirador pessoal do venerável Bispo, conservou as boas relações com a Cúria. Seu sucessor, porém, Aloísio Requesens, atendendo às reclamações dos que se julgavam ofendidos em seus direitos, desrespeitou a jurisdição episcopal e respondeu à sentença da excomunhão com a ocupação militar do Castelo de Arona (propriedade dos Borromeus) e do palácio arquiepiscopal.
No ano de 1579, uma deputação apresentou em Roma as seguintes queixas contra o arcebispo: de Carlos Borromeu ter proibido as danças e divertimentos públicos nos domingos; a prolongação costumeira das folganças carnavalescas até depois do primeiro domingo da quaresma; de ter interdito a passagem pública pelas igrejas, quando esta era facultada para encurtar o caminho; de na época da peste ter usurpado direitos que não lhe competiam e procurado engordar o povo; e por último, do rigor excessivo contra o clero.
Gregório XIII, como infundadas não só rejeitou as acusações, mas ainda recebeu Carlos Borromeu em Roma, com as mais altas distinções. Em resposta a este gesto do Papa, o governador de Milão, organizou no primeiro domingo da Quaresma de 1579, um indigno préstito, carnavalesco pelas ruas de Milão, precisamente à hora da missa do arcebispo. O mesmo governador, que tanta guerra ao Prelado movera, e tantas hostilidades contra São Carlos estimulara, no leito de morte reconheceu o erro e teve o consolo da assistência do santo bispo na hora da agonia. Seu sucessor, Carlos de Aragão, duque de Terra Nova, viveu sempre em paz com a autoridade eclesiástica. O arcebispo gozou deste período só dois anos. Quando em outubro de 1584, como era de costume, se retirara para fazer os exercícios espirituais, teve fortes acessos de febre, a que não ligava importância e dizia: “Um bom pastor de almas, deve saber suportar três febres, antes de se meter na cama”. Os acessos renovaram-se e consumiram as forças do arcebispo. Provido dos santos sacramentos, expirou aos 03 de novembro de 1584. Suas últimas palavras foram: “Eis Senhor, eu venho, vou já”. São Carlos Borromeu tinha alcançado a idade de apenas 46 anos, e a sua morte foi muito pranteada. Para evitar uma inscrição pomposa na campa, tinha determinado no testamento que, no túmulo, lhe lessem as seguintes palavras: “Carlos, Cardeal, com o título de Santa Praxedes, arcebispo de Milão, que se recomenda à oração fervorosa do clero, do povo e do sexo feminino piedoso, em vida escolheu este monumento para si”. Paulo V, canonizou-o em 1610 e fixou-lhe a festa para o dia 04 de novembro. O Corpo do santo em boa conservação, repousa na cripta do “duomo”, de Milão.
Reflexões
São Carlos empregou todos os emolumentos do múnus episcopal pela glória de Deus e para benefício dos pobres. Este traço característico da sua vida, mereceu-lhe ainda mais a admiração e gratidão dos homens, do que se tivesse despendido os bens com parêntese amigos, em construções luxuosas, em festas e vaidades, como fizeram representantes do mesmo estado antes e depois, de cuja memória a história guardou apenas os nomes. Que merecimento teria são Carlos, se tivesse imitado o exemplo de outros, que mau uso fizeram das riquezas? Para quantos a fortuna material tem sido a causadora da desgraça eterna? Diz São Leão: “Não só os bens espirituais, como também os materiais, vem de Deus, de cuja administração pedirá rigorosas contas. Os bens, tanto estes como aqueles, não são propriedades nossas, mas Deus no-los confia para que, distribuindo-os prudentemente, não nos sirvam de ocasião para pecar e de condenação eterna.
No calendário dos santos, figura Carlos com o nome dos ascendentes maternos. Os Borromeus, chamados antes Franchi, residiam antigamente na cidade de San Miriato. Depois se ramificaram e encontramos seus diversos representantes em Florença, Pádua e Milão. Gilberto, senhor de Avona, no lago Maggiore, Casou-se com Margherita, filha de Bernardino Medichino, de Milão, irmã de Gian Ângelo, mais tarde Papa Pio IV. Gilberto Borromeu teve três filhos: Frederico, Carlos e Camila; esta se casou com Cesare Gonzaga de Guastalla, distinguindo-se por grande virtude. Frederico contraiu matrimônio com Virgínia della Rovere, filha do duque Urbino e morreu com 27 anos.
Carlos, o segundo filho de Gilberto, nasceu aos 2 de outubro de 1538. Menino ainda, revelou ótimo talento e uma inteligência rara. Ao lado destas qualidades, manifestou forte inclinação para a vida religiosa, pela piedade e o temor a Deus. Era seu prazer construir altares minúsculos, diante dos quais, em presença dos irmãos e companheiros de idade, imitava as funções sacerdotais que tinha observado na Igreja. Era mero brinquedo infantil. O amor à oração e o aborrecimento aos divertimentos profanos, eram sinais mais positivos da vocação sacerdotal.
Os pais, por seu turno, julgando garantido o futuro da família pelo primogênito Frederico, animaram a Carlos naquele modo de pensar, e levaram-no a seguir a carreira sacerdotal. Com doze anos, recebeu a tonsura e o hábito talar. Pela renúncia do tio Julio César, entrou no usufruto da abadia de São Graciano. Com este acontecimento formou-se o laço, que prendeu o jovem à participação da vida pública da Igreja. A administração de emolumentos que lhe provinham do benefício, Carlos considerava coisa sagrada. “Bem eclesiástico é propriedade de Cristo e por ele dos pobres; a estes aproveita o usufruto”. Foi esta a regra que a fé lhe ditou, e que as tradições da família lhe confirmaram. Não consentia que bens da abadia fossem aplicados a necessidades de família. Emprestando ao pai uma determinada quantia, exigia-lhe nota promissória.
Tendo dezesseis anos, matriculou-se na Universidade de Pávia, para ouvir as preleções do célebre canonista Francisco Alciati. Cinco anos passou em Pávia, separado do mundo, entregue aos estudos e à prática de piedade. Este tempo coincide com a fundação de um patronato para estudantes, cuja organização lhe foi possibilitada pela cessão que o tio materno, o cardeal de Médici, lhe fizera de um benefício eclesiástico.
Quando a notícia da morte do pai o chamou para casa, revelava em todo o modo de agir, o espírito e a tendência de um homem predestinado para grandes coisas. Inacessível às artes de sedução, com que um velho empregado da casa o procurava prender, julgou também ter a obrigação de reconduzir os monges da abadia ao fiel cumprimento dos deveres religiosos. Por meios hábeis, de bondade e energia, conseguiu este fim. Até lá, o moço de 22 anos não tinha idéia do grande futuro que o esperava e do papel importantíssimo que havIa de desenvolver na igreja Católica.
Gian Ângelo, tio materno de Carlos, tinha sido eleito Papa, e sob o nome de Pio IV, tomado o governo da Igreja. Dos parentes que tinham ido a Roma apresentar felicitações ao recém-eleito, fora Carlos a única exceção e, como é de supor, mui propositalmente. Pio IV mandou chamar o sobrinho à metrópole da cristandade e deu-lhe as posições mais elevadas na hierarquia eclesiástica.
Sucessivamente foi nomeado no ano de 1560, protonatário apostólico, referendário e cardeal diácono da Igreja de São Vito. Oito dias depois desta nomeação, recebeu o arcebispado de Milão, com residência obrigatória em Roma. Além destas dignidades, recebeu outras geralmente consideradas anexas à cardinalícia, como sejam: Legado apostólico de Bolonha, Romana e Ancona, protetor de Portugal, dos países baixos, da Suíça católica, dos Franciscanos e Carmelitas e presidente da consulta, isto é, do conselho deliberativo do Estado em negócios exteriores. Muitos, porém, acabaram descontentando-se por atribuírem a acumulação de funções como favoritismo. Ninguém, porém, estava mais descontente que o próprio privilegiado, não por ter se tornado objeto das queixas nesse sentido, mas principalmente por ter sido o primeiro que desejava uma reforma radical, na parte administrativa da Igreja. Às queixas e reclamações, seguiu-se um grande contentamento, porque Carlos revelou logo um tino administrativo extraordinário, unido a um espírito de justiça incomparável. Inacessível a adulação, de uma vigilância prudente e rigorosa, ao mesmo tempo condescendente, deu Carlos, apesar de ainda muito jovem, o exemplo de um homem perfeito, cumpridor dos seus deveres. Além disto, era pessoa de modos delicados, de fino trato social, que com vantagem sabia impor-se na roda da alta sociedade romana. O jovem cardeal, fundou uma associação de sábios religiosos e profanos, que realizavam sessões no Vaticano. Nestas reuniões, cada sócio tinha ocasião de proferir suas idéias, quer em forma de conferências, discursos ou discussões. Versando, a princípio, sobre assuntos de toda a espécie, mais tarde as conferências tiveram por objeto exclusivamente temas teológicos. O patronato que havia fundado em Pávia, foi transformado em colégio para estudantes pobres.
O ano de 1562 trouxe a Carlos a graça do sacerdócio. Morrera seu irmão Frederico, sem deixar filho varão. Os Parentes insistiram, então, com todo o empenho, para que Carlos abandonasse a carreira eclesiástica, e tomasse estado. O próprio Papa se fez intérprete do desejo da família. Por tudo acima que foi dito, não nos podemos admirar de ver que, a situação em que se achava as famílias dos Borromeus, nenhuma luta tivesse desencadeado no coração de Carlos. Para por de vez termo a todas as reclamações dos parentes, fez-se ordenar e, depois do fato consumado, os surpreendeu com a notícia do seu sacerdócio.
Ao Papa que não se conteve, e a Carlos externou o seu grande descontentamento, respondeu: “Santo Padre, não vos queixeis do meu proceder. Uni-me à esposa que muito amava e desejava com todo o ardor”.
A partir desse momento, se nota na vida de Carlos, pendência decLarada para a vida ascética. O Jesuíta Pe. Ribeira, seu confessor e diretor de consciência, o introduziu cada vez mais “na vida espiritual, em Deus escondida”.
No silêncio da meditação, lançou Carlos planos grandiosos para a reorganização da Igreja Católica. Estes todos se concentraram na idéia de concluir o Concílio de Trento. De fato, era o que a Igreja mais necessitava, como base e fundamento da renovação e consolidação da vida religiosa. Por toda a parte surgiram abusos, sintomas indubitáveis de uma decadência deplorável e de uma perturbação bastante séria do regime eclesiástico. O duque Alberto de Baviera, tinha arbitrariamente introduzido a comunhão dos fiéis sob ambas as espécies. O rei alemão Fernando, tinha publicado um catecismo de orientação contrária ao Concílio. Nas cabeças dos políticos franceses, doideava a idéia de um concílio nacional. Na Polônia se realizou, de fato, um concílio nacional de todas as confissões. Na Inglaterra reinava Isabel, a qual, para legitimar sua sucessão, havia de celebrar a independência da Igreja inglesa da de Roma. Só a Espanha desejava a conclusão do Concílio Tridentino.
Carlos, sem cessar, chamava a atenção do velho tio para esta necessidade, reclamada por todos os amigos da Igreja. De fato, o Concílio se realizou, e não exageramos se apontamos Carlos como força motriz daquela grandiosa atuação da vida católica.
Carlos quis ser o primeiro a executar as ordens da nova lei, ainda que por esta obediência tivesse de deixar a posição, para ocupar outra inferior. Já fazia dez anos que a diocese não tinha visto senão comissários de Antístite. A autoridade do Vigário Geral, não chegava para pôr em execução as determinações do Concílio Tridentino, que com traço enérgico cortava abusos enraizados na vida do clero secular, os quais alegavam em seu favor o costume de muitos anos.
Carlos visitou a diocese e sua entrada em Milão foi uma apoteose. Os retratos dos seus avoengos,que tinham sido colocados nas salas do palácio, mandou ele retira-los, e no lugar destes pôr a imagem do glorioso antecessor e modelo, Santo Ambrósio. Um mês depois da chegada, convocou o primeiro concílio providencial, cujo assunto principal era a reforma da vida clerical, de acordo com as determinações do Concílio Tridentino. O Concílio sofreu uma interrupção pela morte do Papa. Carlos, chamado a Roma, assitiu ao tio na hora da morte 91565). No conclave que se reuniu, por ocasião da eleição do novo Papa, Carlos tomou parte. O primeiro pedido que dirigiu a Pio V, foi de poder voltar para a diocese, pedido a que o Sumo Pontífice, se bem que com pesar, lhe acedeu.
De volta para Milão, desenvolveu Carlos uma atividade grandiosa. Para este fim, organizou uma série de concílios providenciais e diocesanos, escreveu uma excelente instrução para os confessores, e publicou as instituições e regras da sociedade de escolas da doutrina cristã. Em segundo lugar, trabalhou para a criação de seminários menores e maiores, e construiu em Milão, o Colégio Helveciano. Resistência tenacíssima e inesperada encontrou o arcebispo, quando estendeu a reforma às Ordens Religiosas. Os Cônegos de Santa Maria della Scala, apoiando-se em privilégios antigos, garantidos pelo rei da Espanha, que ao esmo tempo era duque de Milão, negaram ao arcebispo o direito de visita canônica, e levaram o atrevimento ao ponto de pronunciar a sentença de excomunhão contra o prelado. A mesma humilhação veio-lhe dos Franciscanos e dos Humiliatas.
A Ordem destes foi dissolvida e com este ato declarou-se por terminada a resistência das Ordens. Em outras congregações religiosas, o arcebispo achou os mais dedicados auxiliares, como por exemplo, nos Jesuítas, nos Irmãos e Irmãs de Escola, dos Teatinos e Capuchinhos. Uma organização admirável que o arcebispo criou entre o clero secular, foi a Congregação dos Oblatas, composta de sacerdotes seculares, que por único voto, tinham de estar sempre à disposição do Prelado, onde e quando de auxílio precisasse.
As visitas pastorais dão-nos uma idéia bem clara do espírito apostólico de Carlos Borromeu. Não lhe ra indiferente o modo como o clero cumpria o dever, e como o povo mostrava interesse em aceitar a doutrina cristã e as determinações da autoridade eclesiástica.
Freguesia não havia, por mais pobre, por mais inacessível que fosse, que não lhe tivesse recebido a distinção da visita. No meio das fadigas da viagem (muitas vezes ele mesmo carregava a bagagem), conservava sempre o bom humor. Com os pobres, partilhava o pão dos pobres. Dias havia em que não tomava senão pão e água. De importância histórica tornaram-se as suas visitas à Suíça, onde criou instituições católicas de grande importância. Não só os católicos, mas também os próprios protestantes, recebiam jubilosamente o “santo bispo”. Por intercessão de Carlos, a Suíça católica recebeu um Núncio Apostólico. Foi Carlos quem introduziu na Suíça a Companhia de Jesus e a Ordem dos Capuchinhos, e defendeu os católicos suíços contra as inovações do Protestantismo.
Carlos sabia muito bem que a caridade abre os corações também à religião. Por isto foi que grande parte da receita pertencia aos pobres, reservando ele para si só o indispensável. Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos. Tudo isto não agüenta comparação com as obras de caridade que o arcebispo praticou, quando em 1569-1570 a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram à cidade de Milão. Não tendo mais do seu para dar, pedia em pessoa esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio, que teriam ficado fechadas. Quando, porém, em 1576 a cidade foi visitada pela peste, e o povo abandonado pelos poderes públicos, não tinha outro recurso senão o bispo; este, para não falar na ereção de hospitais e lazaretos que mantinha, visto que ninguém se compadecia do povo, ainda procurava os pobres doentes de que ninguém lembrava, consolava-os e dava-lhes os santos sacramentos. Tendo-se esgotado todas as fontes de recurso, Carlos lançou mão de tudo o que possuía, para amenizar a triste sorte dos doentes. Mais de cem sacerdotes tinham pago com a vida, na sua dedicação e serviço aos doentes. Deus conservava a vida do arcebispo, e este se aproveitou da ocasião para dizer duras verdades aos ímpios e ricos esquecidos de Deus.
A peste ocasionou a fundação de um grande asilo para pobres. Além desta instituição, outros estabelecimentos de utilidade pública, a São Carlos devem sua fundação, como por exemplo, o Instituto dos Nobres em Milão, a Pia União pela salvação de pessoas do sexo feminino periclitadas, e diversas associações de beneficência. São Carlos, escreveu ainda duas pastorais, uma intitulada “Reminiscências para o povo da cidade e do arcebispado de Milão, e instruções para todas as classes, para praticarem as virtudes da vida cristã”, e a outra: “Reminiscências dos dias dolorosos da peste”.
Quem diria que, um bispo tão zeloso e tão santo, pudesse ser alvo de acusações, como se tivesse tendências antipatrióticas? Os primeiros que lhe atiraram pedras, foram aqueles elementos que mais se sentiram incomodados pela obra da reforma do prelado. Dos leigos, eram principalmente representantes da alta aristocracia, cuja vida estava em contradição com as leis da Igreja sobre o matrimônio. Dos clérigos, eram em primeiro lugar frades rebeldes que, intimados à sujeitar-se à reforma, se estribavam em direitos inatingíveis e privilégios centenários. Milão pertencia à Espanha, sendo governado pelo duque de Milão, que era rei da Espanha. O primeiro governador, o duque Albuquerque, por ser admirador pessoal do venerável Bispo, conservou as boas relações com a Cúria. Seu sucessor, porém, Aloísio Requesens, atendendo às reclamações dos que se julgavam ofendidos em seus direitos, desrespeitou a jurisdição episcopal e respondeu à sentença da excomunhão com a ocupação militar do Castelo de Arona (propriedade dos Borromeus) e do palácio arquiepiscopal.
No ano de 1579, uma deputação apresentou em Roma as seguintes queixas contra o arcebispo: de Carlos Borromeu ter proibido as danças e divertimentos públicos nos domingos; a prolongação costumeira das folganças carnavalescas até depois do primeiro domingo da quaresma; de ter interdito a passagem pública pelas igrejas, quando esta era facultada para encurtar o caminho; de na época da peste ter usurpado direitos que não lhe competiam e procurado engordar o povo; e por último, do rigor excessivo contra o clero.
Gregório XIII, como infundadas não só rejeitou as acusações, mas ainda recebeu Carlos Borromeu em Roma, com as mais altas distinções. Em resposta a este gesto do Papa, o governador de Milão, organizou no primeiro domingo da Quaresma de 1579, um indigno préstito, carnavalesco pelas ruas de Milão, precisamente à hora da missa do arcebispo. O mesmo governador, que tanta guerra ao Prelado movera, e tantas hostilidades contra São Carlos estimulara, no leito de morte reconheceu o erro e teve o consolo da assistência do santo bispo na hora da agonia. Seu sucessor, Carlos de Aragão, duque de Terra Nova, viveu sempre em paz com a autoridade eclesiástica. O arcebispo gozou deste período só dois anos. Quando em outubro de 1584, como era de costume, se retirara para fazer os exercícios espirituais, teve fortes acessos de febre, a que não ligava importância e dizia: “Um bom pastor de almas, deve saber suportar três febres, antes de se meter na cama”. Os acessos renovaram-se e consumiram as forças do arcebispo. Provido dos santos sacramentos, expirou aos 03 de novembro de 1584. Suas últimas palavras foram: “Eis Senhor, eu venho, vou já”. São Carlos Borromeu tinha alcançado a idade de apenas 46 anos, e a sua morte foi muito pranteada. Para evitar uma inscrição pomposa na campa, tinha determinado no testamento que, no túmulo, lhe lessem as seguintes palavras: “Carlos, Cardeal, com o título de Santa Praxedes, arcebispo de Milão, que se recomenda à oração fervorosa do clero, do povo e do sexo feminino piedoso, em vida escolheu este monumento para si”. Paulo V, canonizou-o em 1610 e fixou-lhe a festa para o dia 04 de novembro. O Corpo do santo em boa conservação, repousa na cripta do “duomo”, de Milão.
Reflexões
São Carlos empregou todos os emolumentos do múnus episcopal pela glória de Deus e para benefício dos pobres. Este traço característico da sua vida, mereceu-lhe ainda mais a admiração e gratidão dos homens, do que se tivesse despendido os bens com parêntese amigos, em construções luxuosas, em festas e vaidades, como fizeram representantes do mesmo estado antes e depois, de cuja memória a história guardou apenas os nomes. Que merecimento teria são Carlos, se tivesse imitado o exemplo de outros, que mau uso fizeram das riquezas? Para quantos a fortuna material tem sido a causadora da desgraça eterna? Diz São Leão: “Não só os bens espirituais, como também os materiais, vem de Deus, de cuja administração pedirá rigorosas contas. Os bens, tanto estes como aqueles, não são propriedades nossas, mas Deus no-los confia para que, distribuindo-os prudentemente, não nos sirvam de ocasião para pecar e de condenação eterna.
FREGUESIA BRACARENSE São Vicente só subiu ao posto de freguesia em 6 de Dezembro de 1933. Juntava-se, então, à numerosa família territorial que compõe o concelho de Braga, ou seja, é uma das suas 62 freguesias. Urbana, juntamente com outras oito freguesias, S. Vicente é forte em comércio e serviços e rica em registos que dão respeitável antiguidade, pese embora só tenha visto a restauração da sua paróquia em 1926.Esta freguesia bracarense, tem como vizinhas S. Vítor (a leste), Palmeira (a nordeste), Dume (a noroeste), Sé (a ocidente) e S. João do Souto e S. José de S. Lázaro (ambas a sul).Com quase dezasseis mil almas, a freguesia de S. Vicente, que ocupa 142 hectares, tem a maioria da sua população espalhada por bairros e lugares: Misericórdia, Nossa Senhora do Monte, Andorinhas e Quinta das Fontainhas, Boavista, Confeiteira e S. Romão.Rezam documentos históricos que numa extremidade que S. Vicente partilha com a freguesia de Dume, haverá um outeiro castrejo com vestígios de estruturas defensivas, hoje pouco pronunciadas. Nessa elevação existiria o "Castro Máximo", já referido em termos documentais no ano de 873. Actualmente, tal outeiro está muito alterado devido à exploração de granitos.Como referência da romanização, refiram-se os fragmentos de tijolo e tégula que terão sido recolhidos no lugar de Montariol, junto à designada Fonte de S. Vicente. No Museu Pio XII há uma ara votiva dada como proveniente desse lugar. Outro vestígio será um fragmento de inscrição romana encaixado "sob as escadas fronteiras à Igreja Paroquial de S. Vicente", conforme A. Bellino noticiou em 1895.As raízes de S. Vicente são tão desconhecidas como as do concelho de que, urbanamente, faz parte. E ninguém tem respostas sobre as origens e os primeiros povos que povoaram Braga, cuja história é bimilenária, mas recheada de lendas que a ausência de documentação forte sustenta.Segundo dados documentais, a história do concelho bracarense só se pode fazer, em consciência, a partir da dominação romana. Graças ao geógrafo Cláudio Ptolomeu pode ter-se como referência certa que, quando as legiões romanas "avassalaram a Península, vieram encontrar em Braga uns povos a quem denominaram de Bracaros"."Povo heróico e valente, sediados nos cimos dos montes, nos castros, depressa desceram dos píncaros e assimilaram nova civilização trazida pelos romanos. E de tal modo assimilaram que, quando César Augusto, os pacificou - 45 anos aC - lhes concedeu prerrogativas especiais, considerando-os, tais como os cidadãos de Roma e à cidade deu o título de Bracara Augusta", lê-se em documentos oficiais."Depois, mais tarde, ao dividirem a península, criando a Província da Galécia, o imperador romano Caracala eleva a Bracara Augusta a capital da nova província", continuam.SÃO VICENTE ORAGO DA FREGUESIAEm termos de património, seria grave aqui não referir, à partida, a Casa do Vale das Flores ou de Infias, conjunto da Praça Mouzinho de Albuquerque ou Campo Novo, a Igreja de S. Vicente, a Igreja do Carmo (que mereceu, recentemente, obras de restauro no seu interior), a Igreja de Santa Teresa, a Capela de S. Romão, o Nicho do Senhor do Socorro e a Fonte do Mundo.E, quanto mais não seja pela curiosidade que devoções locais merecem, lembrem-se os nichos do Senhor das Ânsias, de Nossa Senhora do Monte (no bairro com o mesmo nome), do Sagrado Coração de Maria (no Bairro da Misericórdia) e a Capela do Senhor das Injúrias como motivos de visita.A Casa do Vale das Flores (ou de Infias) localiza-se num edifício de arquitectura seiscentista, num interessante conjunto de três corpos que um muro ameado circunda. No seu portal, há um brasão com as armas de Pacheco Pereira e Robys. Desde 1977, é considerado Imóvel de Interesse Público.A parte mais preciosa da História da freguesia de S. Vicente estará, todavia, gravada numa pedra da igreja paroquial. Melhor, estará registada numa das suas cartelas (pedras lapidares de fachada). Nela se gravou o ano de 618 como data do aparecimento de um templo naquele local e que terá sido dedicado ao mártir São Vicente, orago da freguesia. Em tal pedra está escrito: "Aqui descansa Remismuera desde o primeiro de Maio de 618, dia de segunda-feira, em paz, amén". Diz-se que o monumento autêntico do Cristianismo em Braga.A pedra que hoje encontramos embutida na parede da sacristia da igreja é a única prova de que tal templo existiu.Foi em 1565 que a igreja paroquial foi reedificada, passando a filial da Santa Igreja de Roma em 1598 e ganhando respectivos privilégios. Em 1691, a igreja paroquial foi objecto de restauro e hoje pode admirar-se a sua frontaria barroca, que contém um exuberante trabalho de cantaria e onde se pode ver uma imagem do padroeiro.Dentro do templo, aprecie-se os azulejos com quadras da vida de S. Vicente, o retábulo da capela-mor (de Miguel Coelho), a talha do arco-cruzeiro, o coro e órgão (tudo desenhado por Carlos Amarante. Diga-se que a igreja paroquial de S. Vicente foi considerada Imóvel de Interesse Público em 1986.
Diariamente conduzia os animais para melhores pastagens, onde ficava a vigia-los.
Aos domingos ia à aldeia, com seus pais, para assistir a missa e freqüentar o catecismo.
O Sr. Vigário aconselhou a seu pai para colocar o garoto Vicente em uma escola; via nele um grande futuro, devido sua inteligência. O pai, que era bem ambicioso, colocou-o em um colégio religioso, desejando que ele fosse padre e ser o arrimo da família. Foi matriculado em um colégio de padres Franciscanos, na cidade Dax, onde ele fez os estudos básicos.
Para seguir a carreira sacerdotal fez os estudos teológicos na Universidade de Tolusa. Foi ordenado sacerdote em 23 de setembro de 1600. Continuou os estudos por mais 4 anos, recebendo o título de Doutor em Teologia.
Uma viúva que gostava de ouvir as suas pregações, ciente de que ele era pobre, deixou para ele sua herança, pequena propriedade e determinada importância em dinheiro, que estava com um comerciante em Marselha.
Ele foi atrás do devedor, encontrando-o recebeu grande parte do dinheiro; ia regressar de navio, por ser mais rápido e mais barato. Na viagem o barco foi aprisionado por barcos de piratas turcos, e levados para a Turquia. Em Tunis foram vendidos como escravos.
Vicente foi vendido para um pescador, depois para um químico; com a morte deste, ele passou pra um seu sobrinho, que vendeu-o para um fazendeiro (um renegado) que antes era católico, e com medo da escravidão, adotara a religião muçulmana. Ele tinha três esposas; uma era turca, que ouvindo os cânticos do escravo, sensibilizou e quis saber o significado do que ele cantava. Ela, ciente da história, censurou o marido por ter abandonado uma religião tão bonita. O patrão de Vicente, arrependido, propôs ao escravo a fugirem para a França. Esta fuga só foi realizada 10 meses depois.
Em um pequeno barco, atravessaram o Mar Mediterrâneo e foram dar na costa francesa, em Aignes Nortes e de lá foram para Avinhão. Nesta cidade encontraram o Vice-Legado do Papa. Vicente voltou à condição de padre e o renegado abjurou publicamente e voltou para a Igreja Católica.
Padre Vicente e o renegado, ficaram residindo em casa do Vice-Legado. Tendo este de viajar a Roma, levou os dois em sua companhia. Padre Vicente aproveitou a estadia nesta cidade e freqüentou a Universidade, formando em Direito Canônico. O renegado pediu para ser admitido em um Mosteiro e tornou-se monge.
Tendo o Papa de mandar um documento sigiloso para o Rei da França, padre Vicente foi o escolhido. Pelos serviços prestados o Rei indicou-o como Capelão da Rainha. Seu serviço era distribuir esmolas para os pobres que rodeavam o Palácio, e visitar os doentes do Hospital da Caridade, em nome da Rainha.
Padre Vicente não gostava do ambiente do Palácio e passou a morar em uma pensão, no mesmo quarto com um juiz. Certo dia amanhecera doente; o empregado da farmácia que vai atendê-lo, precisando de um copo, vai apanhar em um armário, e viu alí um dinheiro, que era do juiz, e ficou com ele. Na volta do juiz, não encontrando seu dinheiro, quis que padre Vicente desse conta dele; como ele não sabia do acontecido, o juiz colocou-o para fora do quarto e coluniou-o de ladrão.
Padre Vicente fica conhecendo o padre Berulle, que mais tarde foi nomeado Bispo de Paris, e indicou-o para vigário de Clichy, subúrbio de Paris.
Paróquia pobre, a maioria de seus habitantes eram horticultores. Padre Vicente se deu bem com eles; as missas eram bem participadas e instituiu a comunhão geral nos primeiros domingos o mês. Criou a Confraria do Rosário, para todos os dias visitar os doentes.
Padre Vicente atendendo ao padre Berulle, deixa a paróquia e vai ser o preceptor dos filhos do general das Galeras.
Foi residir no Palácio dos Gondi, família rica e da alta nobreza. Eles tinham grandes propriedades e padre Vicente, em companhia da senhora De Gondi, visita uma destas propriedades; é chamado para atender um agonizante e assiste sua confissão. Este disse para a senhora De Gondi, que se não fosse a presença do sacerdote, ele iria morrer em grandes faltas e ia permanecer no fogo eterno.
Padre Vicente percebeu que o povo do campo estava abandonado e na missa dominical concitou o povo a fazer a confissão geral. Teve que arranjar outros padres para ajudá-lo nas confissões, tantos eram os que queriam confessar.
Padre Vicente esteve morando com a família Gondi 5 anos. Simulou a necessidade de ir a Paris e
Atendendo o chamado do padre Berulle, padre Vicente volta para morar em casa dos Gondi, onde fica mais 8 anos.
Com o auxílio da senhora De Gondi, funda a Congregação das Missões e a Confraria da Caridade; a primeira cuida da evangelização dos camponeses e a segunda daria assistência espiritual e corporal aos pobres, isto em 1618.
Em Folevile funda uma Confraria de Caridade para homens, em 23/10/1620.
A Congregação das Missões surgiu espontaneamente. Padre Vicente conseguiu alguns colegas para pregações aos camponeses; exigia deles a simplicidade nas pregações, para o povo entender e rapidamente ela foi aumentando.
No princípio alugaram uma casa para sua moradia. Com o aumento mudaram para um velho Colégio.
O número aumentava. Um cônego que dirigia um leprosário sem doentes ofereceu em doação os prédios do leprosário para residência dos padres.
A instituição demorou de 1625 até 12 de janeiro de 1633, quando recebeu a Bula do papa Urbano VIII, reconhecendo a Instituição.
Padre Vicente sempre preocupou com as crianças enjeitadas e abandonadas, com os velhos e com os pobres e doentes. Durante sua vida criou grandes obras, que até hoje estão prestando serviços à humanidade.
A primeira irmã de caridade foi uma camponesa de nome Margarida Nasseau, que, com a orientação de Luiza de Marilac, ele estabeleceu a Confraria das Irmãs da Caridade. Elas eram 4 camponesas, hoje são centenas. Isto se deu em 29 de novembro de 1633.
Padre Vicente criou tantas obras, que em pouco tempo não é possível enumerá-las; a história de sua vida é uma beleza. A seu respeito existe biografias, que poderão serem estudadas por vocês. Padre Vicente tinha quase 80 anos quando faleceu, dia 27 de setembro de 1660.
Em 16 de junho de 1737 foi canonizado pelo papa Clemente XII, e em 12 de maio de 1885 é declarado patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica, por Leão XIII.
Seu corpo repousa na Capela da casa-mãe – São Lázaro, em Paris.
Aos domingos ia à aldeia, com seus pais, para assistir a missa e freqüentar o catecismo.
O Sr. Vigário aconselhou a seu pai para colocar o garoto Vicente em uma escola; via nele um grande futuro, devido sua inteligência. O pai, que era bem ambicioso, colocou-o em um colégio religioso, desejando que ele fosse padre e ser o arrimo da família. Foi matriculado em um colégio de padres Franciscanos, na cidade Dax, onde ele fez os estudos básicos.
Para seguir a carreira sacerdotal fez os estudos teológicos na Universidade de Tolusa. Foi ordenado sacerdote em 23 de setembro de 1600. Continuou os estudos por mais 4 anos, recebendo o título de Doutor em Teologia.
Uma viúva que gostava de ouvir as suas pregações, ciente de que ele era pobre, deixou para ele sua herança, pequena propriedade e determinada importância em dinheiro, que estava com um comerciante em Marselha.
Ele foi atrás do devedor, encontrando-o recebeu grande parte do dinheiro; ia regressar de navio, por ser mais rápido e mais barato. Na viagem o barco foi aprisionado por barcos de piratas turcos, e levados para a Turquia. Em Tunis foram vendidos como escravos.
Vicente foi vendido para um pescador, depois para um químico; com a morte deste, ele passou pra um seu sobrinho, que vendeu-o para um fazendeiro (um renegado) que antes era católico, e com medo da escravidão, adotara a religião muçulmana. Ele tinha três esposas; uma era turca, que ouvindo os cânticos do escravo, sensibilizou e quis saber o significado do que ele cantava. Ela, ciente da história, censurou o marido por ter abandonado uma religião tão bonita. O patrão de Vicente, arrependido, propôs ao escravo a fugirem para a França. Esta fuga só foi realizada 10 meses depois.
Em um pequeno barco, atravessaram o Mar Mediterrâneo e foram dar na costa francesa, em Aignes Nortes e de lá foram para Avinhão. Nesta cidade encontraram o Vice-Legado do Papa. Vicente voltou à condição de padre e o renegado abjurou publicamente e voltou para a Igreja Católica.
Padre Vicente e o renegado, ficaram residindo em casa do Vice-Legado. Tendo este de viajar a Roma, levou os dois em sua companhia. Padre Vicente aproveitou a estadia nesta cidade e freqüentou a Universidade, formando em Direito Canônico. O renegado pediu para ser admitido em um Mosteiro e tornou-se monge.
Tendo o Papa de mandar um documento sigiloso para o Rei da França, padre Vicente foi o escolhido. Pelos serviços prestados o Rei indicou-o como Capelão da Rainha. Seu serviço era distribuir esmolas para os pobres que rodeavam o Palácio, e visitar os doentes do Hospital da Caridade, em nome da Rainha.
Padre Vicente não gostava do ambiente do Palácio e passou a morar em uma pensão, no mesmo quarto com um juiz. Certo dia amanhecera doente; o empregado da farmácia que vai atendê-lo, precisando de um copo, vai apanhar em um armário, e viu alí um dinheiro, que era do juiz, e ficou com ele. Na volta do juiz, não encontrando seu dinheiro, quis que padre Vicente desse conta dele; como ele não sabia do acontecido, o juiz colocou-o para fora do quarto e coluniou-o de ladrão.
Padre Vicente fica conhecendo o padre Berulle, que mais tarde foi nomeado Bispo de Paris, e indicou-o para vigário de Clichy, subúrbio de Paris.
Paróquia pobre, a maioria de seus habitantes eram horticultores. Padre Vicente se deu bem com eles; as missas eram bem participadas e instituiu a comunhão geral nos primeiros domingos o mês. Criou a Confraria do Rosário, para todos os dias visitar os doentes.
Padre Vicente atendendo ao padre Berulle, deixa a paróquia e vai ser o preceptor dos filhos do general das Galeras.
Foi residir no Palácio dos Gondi, família rica e da alta nobreza. Eles tinham grandes propriedades e padre Vicente, em companhia da senhora De Gondi, visita uma destas propriedades; é chamado para atender um agonizante e assiste sua confissão. Este disse para a senhora De Gondi, que se não fosse a presença do sacerdote, ele iria morrer em grandes faltas e ia permanecer no fogo eterno.
Padre Vicente percebeu que o povo do campo estava abandonado e na missa dominical concitou o povo a fazer a confissão geral. Teve que arranjar outros padres para ajudá-lo nas confissões, tantos eram os que queriam confessar.
Padre Vicente esteve morando com a família Gondi 5 anos. Simulou a necessidade de ir a Paris e
Atendendo o chamado do padre Berulle, padre Vicente volta para morar em casa dos Gondi, onde fica mais 8 anos.
Com o auxílio da senhora De Gondi, funda a Congregação das Missões e a Confraria da Caridade; a primeira cuida da evangelização dos camponeses e a segunda daria assistência espiritual e corporal aos pobres, isto em 1618.
Em Folevile funda uma Confraria de Caridade para homens, em 23/10/1620.
A Congregação das Missões surgiu espontaneamente. Padre Vicente conseguiu alguns colegas para pregações aos camponeses; exigia deles a simplicidade nas pregações, para o povo entender e rapidamente ela foi aumentando.
No princípio alugaram uma casa para sua moradia. Com o aumento mudaram para um velho Colégio.
O número aumentava. Um cônego que dirigia um leprosário sem doentes ofereceu em doação os prédios do leprosário para residência dos padres.
A instituição demorou de 1625 até 12 de janeiro de 1633, quando recebeu a Bula do papa Urbano VIII, reconhecendo a Instituição.
Padre Vicente sempre preocupou com as crianças enjeitadas e abandonadas, com os velhos e com os pobres e doentes. Durante sua vida criou grandes obras, que até hoje estão prestando serviços à humanidade.
A primeira irmã de caridade foi uma camponesa de nome Margarida Nasseau, que, com a orientação de Luiza de Marilac, ele estabeleceu a Confraria das Irmãs da Caridade. Elas eram 4 camponesas, hoje são centenas. Isto se deu em 29 de novembro de 1633.
Padre Vicente criou tantas obras, que em pouco tempo não é possível enumerá-las; a história de sua vida é uma beleza. A seu respeito existe biografias, que poderão serem estudadas por vocês. Padre Vicente tinha quase 80 anos quando faleceu, dia 27 de setembro de 1660.
Em 16 de junho de 1737 foi canonizado pelo papa Clemente XII, e em 12 de maio de 1885 é declarado patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica, por Leão XIII.
Seu corpo repousa na Capela da casa-mãe – São Lázaro, em Paris.

VIDA DE SÃO VICENTE DE PAULO
Vicente nasceu no dia 24 de abril de 1581; foi batizado no mesmo dia de seu nascimento.Era o terceiro filho do casal João de Paulo e Bertranda de Morais. Seus pais eram agricultores e muito religiosos. Todos os seis filhos receberam o ensino religioso de sua mãe.Vicente nasceu na aldeia de Pooy, perto da cidade de Dax, sul da França.Seus dois irmãos mais velhos ajudavam os pais na lavoura e Vicente era pastor de ovelhas e de porcos.Desde pequeno, demonstrava muita inteligência e grande religiosidade. Em frente à sua casa, em um pé de carvalho, tinha um buraco; ele colocou aí uma pequena imagem da Santíssima Virgem, onde diariamente ajoelhava e fazia uma oração.
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